Blog pessoal de Ana Paula Motta

Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009



Uma sensação de sufoco por causa do calor fora de época ou por motivos menos climáticos.

O fim de tarde não trazia boas promessas ou um horizonte belo. O cinza da cidade se espalhava pela alma ou o cinza da alma nublava os olhos.

Um bando de andorinhas alardeava o verão fora de hora.

No meio da multidão, a sensação de não ser reconhecida por nenhuma daquelas caras de certa forma a confortava. Mas viu esse pequeno conforto ser ameaçado. Esquivava-se da cara conhecida, não queria abraços, beijos e – o pior- trocar palavras. Conseguiu escapar.

Respirou fundo e venceu a fumaça da comida de rua e dos veículos feito formigas atarantadas em fim de dia.

Venceu o medo, o enfado e procurou em vão as tais andorinhas. Decerto foram anunciar o verão em outra freguesia.

Os ruídos ensurdecedores se transformaram em silêncio opressor. Estava chegando em casa, carregando nos ombros o peso de viver, o peso do mundo.

publicado por Ana Paula Motta às 22:40
link do post | comentar | favorito

A pressa em postar um comentário não me fez buscar o autor da frase"Para criar é preciso ser insatisfeito".Concordo com ela,pois nos momentos em que estamos mais vulneráveis conseguimos passar a dor sem máscaras!
Seu texto me passou esta exposição poética!
Walnize
Walnize a 21 de Agosto de 2009 às 09:01

Às vezes os textos parecem mesmos nervos expostos, para o bem e para o mal...
Ana Paula Motta a 21 de Agosto de 2009 às 09:37

Espero que estas andorinhas venham anunciar o verão aqui, cansamos do frio e da ameaça da gripe...
Mas há dias assim, sentimo-nos sozinhos em meio a multidão, e é assim que queremos estar, por isso o desvio, o atravessar a rua se alguem ameaça este estado de solidão..
Gostei muito do texto!
Um abraço e boa semana
Sonia Schmorantz a 24 de Agosto de 2009 às 00:43

Obrigada pelos elogios,Sonia. Boa semana pra vc tb. O frio já voltou aqui.
Ana Paula Motta a 24 de Agosto de 2009 às 15:24

Vemos o mundo exterior da cor do nosso interior e a cor com que vemos o exterior influencia o interior. Quando tudo está cinzento a questão é como quebrar o círculo.

Até breve.
antonior a 25 de Agosto de 2009 às 16:56


mais sobre mim
pesquisar
 
Agosto 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

17
18
19
21
22

23
24
26
27
28
29

30


últ. comentários
Há sonhos que não esquecemos e outros que sim, tal...
Por que razão os sonhos mais belos se esfumaçam? e...
Por que razão os sonhos mais belos se esfumaçam? e...
Bonito...
Rs, muita tinta
Sofre do mesmo pânico: os espelhos e os fios branc...
Obrigada, pela visita. O filme é mesmo muito bom.
Já vi e adorei o filme :)
Obrigada, Aninha. O que seria de mim sem as amigas...
Amanhã é um outro dia e o sol volta a brilhar, que...
Gosta de escrever textos sobre e Televisão? Tem id...
Wal , sempre tão atenciosa e carinhosa e eu em fal...
A doce Aninha enfeitando minha tarde de domingo.Bj...
Aninha, esse micro conto nasceu de lembranças e ta...
Haja o que houver, essas duas lágrimas fujonas são...
Shayana, obrigada pela visita e pelo comentário. B...
Ana gostei muito...
Um dia Ana, tb acredito nisso :-)um abraço deste l...
Wal sempre tão atenciosa e carinhosa nos comentári...

blogs SAPO


Universidade de Aveiro