O céu tingido de cinza,mais forte que o som dos trovões é a força da água que desaba inclemente. Um pranto tão intenso quando a dor de quem perde um grande amor.
O céu de dezembro chora pelo ano que se vai, esperançoso de dias melhores, mas com um certo travo amargo das despedidas.
Nas manhãs de Natal adoro sentar sozinha à mesa para saborear uma rabanada acompanhada de um bom café. É a minha hora mágica, quando o resto da casa ainda dorme.
Um dia desses ainda acabo por encontrar um velhinho de gorro vermelho.
Hoje deixo meus textos para postar esse vídeo do escritor Mia Couto que sintetiza em sete minutos o que o mundo vive hoje. Um texto escrito com sensibilidade, que raramente se vê quando se trata desse assunto.
Maria Alice é a minha amiga mais próxima. Digo que nos conhecemos desde sempre. Tem uma rabugice única, um bom coração e é a mais passional das criaturas, o que pode ser muito ruim ou muito bom.
Minha amiga tem teorias singulares sobre várias coisas, a teoria sobre a morte e os fatos que a envolvem são de fazer rir.
Odeio gente que não sabe se comportar em velório. Velório é lugar de dor e não de contar piadas “para fazer esquecer o sofrimento” como os engraçadinhos inconvenientes apregoam.
Velório não é lugar para roupas coloridas, nem lugar para decotes. Eu já avisei: quem aparecer vestida de maneira inadequada no meu velório vai arcar com as consequências. Eu volto para puxar o pé na mesma noite.
Acho tão bonito uma viúva de luto. Hoje em dia esqueceram o luto. Acho o luto fundamental para a saúde emocional. Ele tem sua razão de ser. É momento de chorar, de coração dorido. Quem não vive o luto paga o preço em algum momento. E para isso um pretinho básico ajuda muito.
Detesto escândalo em velório. Choro verdadeiro não é escandaloso. Desmaios também me irritam. Quem sofre de verdade, chora, chora sem som, abraça os amigos, molha o rosto sempre que sente um nó na garganta. Gente que ameaça se jogar no túmulo para mim é sem educação e falsa. Quem sofre, apenas chora, chora muito. Se usar óculos escuros fica sem dúvida um choro beirando á perfeição.
Gosto de véus negros, pena que hoje quase ninguém usa chapéus com véu então... No velório do meu marido ameacei usar um chapéu, fui demovida da idéia. Usei meu véu negro e um terço. Chorei muito. Gosto de chorar.
Usei um mês de luto fechado e outros tantos de luto menos rigoroso. Vivi minha dor. Sobrevivi.
Essa é apenas a primeira das histórias da minha amiga, vou contar sempre que der vontade. Seu nome foi trocado por razões óbvias.
Freddie Mercury faria no último dia 5 de stembro 65 anos. Entre as várias iniciativas para marcar a data está esse vídeo do antológico show em Wembley.
Freddie for a day.
Meu primeiro blog ontem fez três anos com mais de 190 mil acessos. Infelizmente o blog anda meio abandonado porque não tenho muito tempo livre e estou pouco inspirada.
Abaixo o primeiro texto. Noites de insônia são boas para...
Houve um tempo em que a insônia me desesperava. Hoje cheguei a conclusão de que noites não tão bem dormidas podem ser aproveitadas de muitas formas. Uma muito últil (pelo menos para mim) é sonhar acordada, coisa que tão pouco nos permitimos nessa vida tão agitada que a maioria de nós leva. Sonhar acordada ao contrário do que pensam os pessistas, os "sérios" e os chatos em geral, é uma maneira mais colorida de fazer planos. E para quem gosta de viver fazer planos é como um sopro de oxigênio. Pois é no primeiro momento da minha, digamos "insônia produtiva", os sonhos de olhos abertos me tomam de assalto, assim naturalmente. Desse mundo onírico muita coisa boa acaba saindo, até ver as coisas as de uma maneira mais saudável, os caminhos parecem mais abertos.
Outra forma muito interessante de aproveitar a falta de sono é pensar textos. Isso mesmo pensar em meus texto, que muitas vezes não são escritos por falta de tempo para simplesmente "parar" no meio do dia. À noite eles se impõem, meio que me dizendo "Você não nos dá atenção e agora vai ter que nos ouvir". As idéias vão se encadeando de uma maneira meio mágica, alguns diriam que é inspiração, eu acho que é simplesmente voltar a exercitar uma capacidade que sempre foi cotidiana e que com o tempo e a mudança de hábitos deixou de ser. Escrever é exercício. Quando a idéia é muito boa, e olha que para ser considerada assim ela tem que se esforçar e me provar, acabo saindo da cama e escrevendo do velho modo: caneta e papel. Muitos rabiscos depois volto para a cama e volto a dormir, quase sempre. é como se o cérebro estivesse numa fase de tanta atividade que acabasse por me impor os textos. Não posso reclamar.
Alguém deve se perguntar: "Como ela sobrevive sem dormir" . Vale esclarecer que sempre me deitei tarde e agora de uns meses até hoje venho deitando muiiiito cedo, por volta de 10, 10 e meia da noite e isso me faz acordar lá pelas 2 ou 3 h. Ou seja quando o sono é interrompido já dormi 4 ou 5 horas de sono. Lá pelas 6h me levanto arrumo o café da manhã e o lanche do meu filho e o mando para a escola. Aí, volto para cama e, não raro, volto a dormir até 8 ou 8 e meia. No fim das contas quase sempre durmo mais de 6 horas, o que para mim tem sido mais que suficiente. Afinal quando passamos dos 40 anos, dizem, nosso corpo precisa de menos horas de sono para se reestabelecer.
Acho que até lidar bem com a falta de sono tem sido uma maneira mais madura de ver a vida. Por hoje, é só...
escrito por João Ana Paula Motta 31-07-2008 16:49 4 comentários