Blog pessoal de Ana Paula Motta

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

 

 


Olhava encantado a languidez natural com que ela acordava. O nariz vermelho e um pouco inchado davam um ar de adolescente.

 

Ela espreguiçava-se, dizia "Bom dia!" e sempre ouvia de volta um bem humorado: "Preguiçosa!".

As segundas-feiras ganhavam sempre um ar feliz. 

publicado por Ana Paula Motta às 13:11
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

 

Teve dificuldades em dormir. Foi uma noite conturbada. Calor, pensamentos desconexos, lembranças que preferia esquecer. Insetos!

Antes das cinco da manhã resolveu acabar com o sofrimento. De hoje não passava.

Tomou uma ducha bem quente, vestiu a roupa de banho, o vestido leve que mais gostava e calçou uma sandália rasteira.

Penteou os longos cabelos, pegou a bolsa enorme e os óculos escuros.

Ligou o carro e saiu com os vidros abertos deixando que o vento da manhã invadisse as narinas.

De hoje não passaria.

Chegou à margem do imenso rio e desceu a escadinha íngreme bem onde as águas seguiam numa enorme curva.

Descalçou as sandálias e arriscou molhar os pés. Sentiu a força da água.

Subiu os degraus de volta, entrou no carro e pegou a estrada.

Depois de mais de quarenta minutos avistou o mar. Ondas violentas. A luz do sol filtrada pela neblina matinal.

De hoje não passaria.

Tirou o vestido leve e foi caminhando rumo às ondas violentas.

A primeira veio forte e encobriu seu corpo. Mergulhou e nadou vigorosamente. Avançou mar adentro. Sentiu uma energia estranha.

De hoje não passaria.

Depois de longos minutos enfrentando as vagas daquele mar que conhecia tão bem, nadou de volta à praia.

De hoje não passaria.

Deixou pra trás tudo que incomodava sua alma tumultuada.

Sorriu revigorada. Finalmente seu ano novo havia começado.

sinto-me: Ensolarada
música: Canção do Mar
tags:
publicado por Ana Paula Motta às 17:18
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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

 

Amores perfeitos também tem seus dias imperfeitos, ainda que raros.

 

sinto-me:
música: Corcovado
publicado por Ana Paula Motta às 03:08
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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011

O céu tingido de cinza,mais forte que o som dos trovões é a força da água que desaba inclemente. Um pranto tão intenso quando a dor de quem perde um grande amor.

 

O céu de dezembro chora pelo ano que se vai, esperançoso de dias melhores, mas com um certo travo amargo das despedidas.

sinto-me:
publicado por Ana Paula Motta às 18:29
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Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011

 

 

Nas manhãs de Natal adoro sentar sozinha à mesa para saborear uma rabanada acompanhada de um bom café. É a minha hora mágica, quando o resto da casa ainda dorme.

Um dia desses ainda acabo por encontrar um velhinho de gorro vermelho.

sinto-me:
música: Nat King Cole - The Christmas Song
publicado por Ana Paula Motta às 01:11
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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

Sem palavras, apenas sinto o Natal.

publicado por Ana Paula Motta às 22:50
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2011

Hoje deixo meus textos para postar esse vídeo do escritor Mia Couto que sintetiza em sete minutos o que o mundo vive hoje. Um texto escrito com sensibilidade, que raramente se vê quando se trata desse assunto.

sinto-me:
publicado por Ana Paula Motta às 11:11
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

Maria Alice é a minha amiga mais próxima. Digo que nos conhecemos desde sempre. Tem uma rabugice única, um bom coração e é a mais passional das criaturas, o que pode ser muito ruim ou muito bom.

Minha amiga tem teorias singulares sobre várias coisas, a teoria sobre a morte e os fatos que a envolvem são de fazer rir.

 

Odeio gente que não sabe se comportar em velório. Velório é lugar de dor e não de contar piadas “para fazer esquecer o sofrimento” como os engraçadinhos inconvenientes apregoam.

Velório não é lugar para roupas coloridas, nem lugar para decotes. Eu já avisei: quem aparecer vestida de maneira inadequada no meu velório vai arcar com as consequências. Eu volto para puxar o pé na mesma noite.

Acho tão bonito uma viúva de luto. Hoje em dia esqueceram o luto. Acho o luto fundamental para a saúde emocional. Ele tem sua razão de ser. É momento de chorar, de coração dorido. Quem não vive o luto paga o preço em algum momento. E para isso um pretinho básico ajuda muito.

Detesto escândalo em velório. Choro verdadeiro não é escandaloso. Desmaios também me irritam. Quem sofre de verdade, chora, chora sem som, abraça os amigos, molha o rosto sempre que sente um nó na garganta. Gente que ameaça se jogar no túmulo para mim é sem educação e falsa. Quem sofre, apenas chora, chora muito. Se usar óculos escuros fica sem dúvida um choro beirando á perfeição.

Gosto de véus negros, pena que hoje quase ninguém usa chapéus com véu então... No velório do meu marido ameacei usar um chapéu, fui demovida da idéia. Usei meu véu negro e um terço. Chorei muito. Gosto de chorar.

Usei um mês de luto fechado e outros tantos de luto menos rigoroso. Vivi minha dor. Sobrevivi.


Essa é apenas a primeira das histórias da minha amiga, vou contar sempre que der vontade. Seu nome foi trocado por razões óbvias. 

sinto-me:
publicado por Ana Paula Motta às 19:28
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Domingo, 16 de Outubro de 2011

 

 

Vejo a tarde cair, o sol se por, o céu ficar gris e o vento soprar impaciente.

 

O ar empoeirado dá lugar à aragem da noite que chega.

 

Alho, cebola, cenoura, couve, toucinho e abóbora menina, temperados com duas lágrimas fujonas.

 

A chuva tamborila no telhado.

 

A porta se abre sem alarde. Ele entra com os pés enlameados, sorriso no rosto e fome. Muita fome.

 

Alívio e frio na barriga. Nunca fui boa em pressentimentos.

 

 

Para ouvir com :Madredeus- Haja o que houver

publicado por Ana Paula Motta às 01:22
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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2011

Por um motivo muito particular posto aqui o poema de Augusto Gil.

BALADA DA NEVE

 

 

 Batem leve, levemente, 

como quem chama por mim. 
Será chuva? Será gente? 
Gente não é, certamente 
e a chuva não bate assim.

 

 É talvez a ventania: 

mas há pouco, há poucochinho, 
nem uma agulha bulia 
na quieta melancolia 
dos pinheiros do caminho...

 

Quem bate, assim, levemente, 
com tão estranha leveza, 
que mal se ouve, mal se sente? 
Não é chuva, nem é gente, 
nem é vento com certeza.

 

Fui ver. A neve caía 
do azul cinzento do céu, 
branca e leve, branca e fria... 
 Há quanto tempo a não via! 
E que saudades, Deus meu!

 

Olho-a através da vidraça. 
Pôs tudo da cor do linho. 
Passa gente e, quando passa, 
os passos imprime e traça 
na brancura do caminho...

 

Fico olhando esses sinais 
da pobre gente que avança, 
e noto, por entre os mais, 
os traços miniaturais 
duns pezitos de criança...

 

E descalcinhos, doridos... 
a neve deixa inda vê-los, 
primeiro, bem definidos, 
depois, em sulcos compridos, 
porque não podia erguê-los!...

 

Que quem já é pecador 
sofra tormentos, enfim! 
Mas as crianças, Senhor, 
porque lhes dais tanta dor?!... 
Porque padecem assim?!...

 

E uma infinita tristeza, 
uma funda turbação 
entra em mim, fica em mim presa. 
Cai neve na Natureza 
e cai no meu coração.

 

 

                                  Augusto Gil 

 

                                  

sinto-me:
publicado por Ana Paula Motta às 16:44
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011

Nas manhãs claras alimentam-se de intensidades.

 

publicado por Ana Paula Motta às 16:40
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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011

Ando um pouco musical por esses dias...

sinto-me:
música: Oração
publicado por Ana Paula Motta às 03:01
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Quarta-feira, 7 de Setembro de 2011

Freddie Mercury faria no último dia 5 de stembro 65 anos. Entre as várias iniciativas para marcar a data está esse vídeo do antológico show em Wembley. Freddie for a day.

música: Love of my life
publicado por Ana Paula Motta às 03:42
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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2011

Meu primeiro blog ontem fez três anos com mais de 190 mil acessos. Infelizmente o blog anda meio abandonado porque não tenho muito tempo livre e estou pouco inspirada.


Abaixo o primeiro texto.
Noites de insônia são boas para...

Houve um tempo em que a insônia me desesperava. Hoje cheguei a conclusão de que noites não tão bem dormidas podem ser aproveitadas de muitas formas. Uma muito últil (pelo menos para mim) é sonhar acordada, coisa que tão pouco nos permitimos nessa vida tão agitada que a maioria de nós leva. Sonhar acordada ao contrário do que pensam os pessistas, os "sérios" e os chatos em geral, é uma maneira mais colorida de fazer planos. E para quem gosta de viver fazer planos é como um sopro de oxigênio. Pois é no primeiro momento da minha, digamos "insônia produtiva", os sonhos de olhos abertos me tomam de assalto, assim naturalmente. Desse mundo onírico muita coisa boa acaba saindo, até ver as coisas as de uma maneira mais saudável, os caminhos parecem mais abertos.
    Outra forma muito interessante de aproveitar a falta de sono é pensar textos. Isso mesmo pensar em meus texto, que muitas vezes não são escritos por falta de tempo para simplesmente "parar" no meio do dia. À noite eles se impõem, meio que me dizendo "Você não nos dá atenção e agora vai ter que nos ouvir". As idéias vão se encadeando de uma maneira meio mágica, alguns diriam que é inspiração, eu acho que é simplesmente voltar a exercitar uma capacidade que sempre foi cotidiana e que com o tempo e a mudança de hábitos deixou de ser. Escrever é exercício. Quando a idéia é muito boa, e olha que para ser considerada assim ela tem que se esforçar e me provar, acabo saindo da cama e escrevendo do velho modo: caneta e papel. Muitos rabiscos depois volto para a cama e volto a dormir, quase sempre. é como se o cérebro estivesse numa fase de tanta atividade que acabasse por me impor os textos. Não posso reclamar.
   Alguém deve se perguntar: "Como ela sobrevive sem dormir" . Vale esclarecer que sempre me deitei tarde e agora de uns meses até hoje venho deitando muiiiito cedo, por volta de 10, 10 e meia da noite e isso me faz acordar lá pelas 2 ou 3 h. Ou seja quando o sono é interrompido já dormi 4 ou 5 horas de sono. Lá pelas 6h me levanto arrumo o café da manhã e o lanche do meu filho e o mando para a escola. Aí, volto para cama e, não raro, volto a dormir até 8 ou 8 e meia. No fim das contas quase sempre durmo mais de 6 horas, o que para mim tem sido mais que suficiente. Afinal quando passamos dos 40 anos, dizem, nosso corpo precisa de menos horas de sono para se reestabelecer.
   Acho que até lidar bem com a falta de sono tem sido uma maneira mais madura de ver a vida. Por hoje, é só...
  
escrito por João Ana Paula Motta 31-07-2008 16:49
4 comentários
sinto-me:
publicado por Ana Paula Motta às 23:32
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011

Seguia a caminho de casa depois de um dia quase perfeito. Foi surpreendida pelo cair repentino da noite.

 A rua longa, as casas em ruínas, o som dos seus passos rompendo o silêncio.

Em menos de dois minutos venceu o quarteirão e as sombras à espreita.

Reconfortou-se nas sirenes estridentes, no trânsito caótico, no corre-corre. Voltou ao mundo dos vivos.

sinto-me:
tags:
publicado por Ana Paula Motta às 17:02
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