Sorriu ignorando a leve ironia, irradiava alegria como as flores em diversos tons, do azul lavanda ao roxo e devolveu com a frase: “Sou a tua primavera.”
É incrível como certas frases, que sabem lamechas em qualquer outro contexto, soam tão naturais entre amantes.
Justificou o atraso de mais de uma hora com uma dor de cabeça lancinante, que não combinava nem um pouco com a aparente disposição e o rosto feliz. Talvez fosse a única mulher no mundo disposta a um encontro amoroso mesmo assim.
Aninhou-se no peito e sentiu-se como se nada de mal pudesse acontecer, era assim desde sempre, um dia lindo de primavera.
De que calada maneira Você chega assim sorrindo Como se fosse a primavera Eu morrendo E de que modo sutil Me derramou na camisa Todas as flores de abril
Sexta-feira, 18 h. Laura ajudava uma aluna com uma pesquisa, impaciente porque o tempo demorava a passar. A lua cheia dividia o céu com o sol.
O aparelho vibrou sobre a mesa. Sorriu,respondeu a mensagem e voltou para a tarefa.
Novo sinal de mensagem. Em poucos segundos outro... e outro e mais outro.
Enrubesceu e não sabia o que dizer à moça que ao lado esperava sua ajuda. Balbuciou uma desculpa e ouviu de volta: “Não fica envergonhada não, fessôra, meu Zé Maria também é assim. Ele tem desespero de mim.”
O céu tingido de cinza,mais forte que o som dos trovões é a força da água que desaba inclemente. Um pranto tão intenso quando a dor de quem perde um grande amor.
O céu de dezembro chora pelo ano que se vai, esperançoso de dias melhores, mas com um certo travo amargo das despedidas.
Nas manhãs de Natal adoro sentar sozinha à mesa para saborear uma rabanada acompanhada de um bom café. É a minha hora mágica, quando o resto da casa ainda dorme.
Um dia desses ainda acabo por encontrar um velhinho de gorro vermelho.